domingo, 13 de novembro de 2011

Hortelã X Candidíase Oral




Um estudo realizado na FOP-UNICAMP e no Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) revela que o uso do extrato de Mentha ssp., conhecido popularmente como hortelã, demonstra potencial antimicrobiano contra cepas (conjunto de uma mesma espécie de bactérias) de Candida, principalmente a albicans, patógeno que pode ser encontrado na cavidade bucal.
A Candidíase ou Candidose é uma infecção comum em homens e mulheres, e é causada por espécies de Candida, juntamente com a imunodeficiência do hospedeiro.
Por ser um microrganismo comensal (espécies que se associam numa relação em que uma delas recebe benefício sem prejuízo para a outra), cerca de 30% a 50% das pessoas o possuem em sua cavidade bucal sem evidência clínica de infecção.
Como resultado dessa infecção complexa entre hospedeiro e microrganismo, essa doença é capaz de variar desde o leve envolvimento da superfície mucosa (notada na maioria dos pacientes) à uma doença fatal, de maneira disseminada naqueles imunodeprimidos.
A Candidose pode tambem ser observada agregada a valvulas cardíacas e cateteres.
A literatura já demonstrava atividade antimicrobiana de algumas espécies de Mentha contra a levedura bucal Candida albicans. Diante da resistência apresentada por essas leveduras aos antifúngicos disponíveis no mercado (as drogas mais utilizadas na boca são a Nistatina e o Fluconazol e para as Candidoses sistêmicas, forma mais grave da doenca,a Anfotericina B ) , a equipe de pesquisadores testou a atividade antimicrobiana da Mentha contra C.albicans e ,ainda, avaliou sua citotoxicidade.
As análises apontam para a possibilidade do óleo de Mentha ser utilizado como agente antimicrobiano em potencial.
Importante salientar que esses patógenos são muito mais sensíveis ao antimicrobiano quando "soltos" ( em sua forma planctônica ) quando comparados com com a forma "agregada" , unidos uns aos outros no biofilme ( placa bacteriana) quando exercem mais facilmente sua ação biológica, daí a importância de se manter uma boa higiene bucal.
Quanto a citotoxicidade em células epiteliais,  o óleo essencial de Mentha  mostrou ação antimicrobiana com seletividade positiva para Candida.
Isso sinaliza para uma maior segurança dessas frações , com grande potencial para uso futuro como medicamento.

Fonte: Jornal APCD - novembro 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Chicletes fazem mal aos dentes?



Chicletes fazem mal aos dentes?

Ao contrário do que se pensa, mascar chicletes pode ser um ato saudável. Quando mascamos o chiclete, as glândulas salivares são estimuladas a produzirem saliva em maior quantidade. O aumento do fluxo salivar favorece a limpeza de resíduos alimentares dos dentes, além de neutralizar o pH bucal com maior rapidez, diluindo ácidos provenientes da dieta e produzidos pelas bactérias causadoras da cárie dentária.

Então quer dizer que eles fazem bem?
Antes de tudo, é importante compreendermos que a cárie dentária é uma doença infecciosa multifatorial, dependente da presença de bactérias bucais específicas e da frequência de consumo de açúcares fermentáveis.
O açúcar refinado (sacarose) é considerado o principal componente da dieta cariogênica. Assim, apenas gomas de mascar livres de sacarose e que utilizem adoçantes seguros são inofensivas e podem ajudar na prevenção da cárie. Além disso, seu uso não dispensa a necessidade da higiene bucal com escova, dentifrício e fio dental.
Estudos vêm sendo realizados com o objetivo de encontrar substitutos que evitem os efeitos indesejáveis dos açúcares, principalmente da sacarose. Hoje, adoçantes alternativos já são empregados em gomas de mascar, como o xilitol.

O que é o xilitol?
Xilitol é um adoçante natural encontrado em plantas, frutas e vegetais. Ele é tão doce quanto a sacarose, porém com um terço a menos de calorias e com a característica de não favorecer o desenvolvimento da cárie. Por não ser fermentado em ácido por praticamente nenhum dos microrganismos bucais, seu consumo não leva à queda do pH da boca e do biofilme dentário (placa bacteriana), evitando a desmineralização dos dentes.
Além disso, o xilitol tem a capacidade de diminuir a concentração das bactérias do biofilme e de alterar a sua composição, formando um  biofilmemenos aderente, de fácil remoção pela escovação habitual dos dentes. É importante ressaltar que seu uso não dispensa a higienização e que seus efeitos em longo prazo na incidência de cárie ainda necessitam de maiores estudos. Além do xilitol, outros compostos vêm sendo incorporados aos chicletes pelos seus fabricantes com o objetivo de combater  cárie dentária e suas consequências, como o Recaldent™.

O que é o Recaldent™?  Como ele age?

Recaldent™ é como foi batizado o complexo fosfopetídeo de caseína - fosfato de cálcio amorfo , uma proteína do leite que foi isolada e patenteada por uma equipe de pesquisadores da Austrália. Essa proteína auxilia na reincorporação de minerais ao esmalte dentário.

Como acontece a remineralização?

Os dentes estão sujeitos a uma perda mineral constante  (desmineralização), provocada pela presença de ácidos na boca.
Quando essa perda de minerais não é compensada adequadamente  (remineralização), o dente fica sujeito ao desenvolvimento  de cárie.
Ao mascar uma goma sem açucar, ocorre estimulação salivar. A saliva estimulada pelo mascar da goma é mais eficaz na  remineralização do esmalte do dente que a saliva em repouso.
O Recaldent® é uma fonte de minerais solúveis, que podem  penetrar no esmalte e serem absorvidos localmente pelo dente. Ou seja, ao mascar uma goma com Recaldent teremos ainda mais remineralização e menos cárie.

Então não há restrições para o uso de chicletes?
Mesmo com os benefícios promovidos pelos chicletes, é importante se acautelar quanto ao seu consumo excessivo. Mascar chiclete, sobretudo entre os jovens, pode acabar se transformando em um hábito, difícil de ser administrado posteriormente. Além disso, os efeitos do ato de mascar gomas sobre a articulação têmporo-mandibular, embora moderados, podem se agravar com o tempo.

Fonte : Revista APCD

 

domingo, 6 de novembro de 2011

Herpes (herpes simples, herpes labial)




O que é?

O herpes é uma infecção causada pelo Herpes simplex virus. O contato com o vírus ocorre geralmente na infância, mas muitas vezes a doença não se manifesta nesta época. O vírus atravessa a pele e, percorrendo um nervo, se instala no organismo de forma latente, até que venha a ser reativado.
A reativação do vírus pode ocorrer devido a diversos fatores desencadeantes, tais como: exposição à luz solar intensa, fadiga física e mental, estresse emocional, febre ou outras infecções que diminuam a resistência orgânica.
Algumas pessoas tem maior possibilidade de apresentar os sintomas do herpes. Outras, mesmo em contato com o vírus, nunca apresentam a doença, pois sua imunidade não permite o seu desenvolvimento.

Manifestações clínicas

As localizações mais frequentes são os lábios e a região genital, mas o herpes pode aparecer em qualquer lugar da pele. Uma vez reativado, o herpes se apresenta da seguinte forma:
  • inicialmente pode haver coceira e ardência no local onde surgirão as lesões.
  • a seguir, formam-se pequenas bolhas agrupadas como num buquê sobre área avermelhada e inchada.
  • as bolhas rompem-se liberando líquido rico em vírus e formando uma ferida. É a fase de maior perigo de transmissão da doença.
  • a ferida começa a secar formando uma crosta que dará início à cicatrização.
  • a duração da doença é de cerca de 5 a 10 dias.
Tratamento

Os seguintes cuidados devem ser tomados durante um surto de herpes:
  • o tratamento deve ser iniciado tão logo comecem os primeiros sintomas, assim o surto deverá ser de menor intensidade e duração;
  • evite furar as vesículas;
  • evite beijar ou falar muito próximo de outras pessoas, principalmente de crianças se a localização for labial;
  • evite relações sexuais se for de localização genital;
  • lave sempre bem as mãos após manipular as feridas pois a virose pode ser transmitida para outros locais de seu próprio corpo, especialmente as mucosas oculares, bucal e genital.
O tratamento deve ser orientado pelo seu médico ou dentista . É ele quem pode determinar os medicamentos mais indicados para o seu caso que, dependendo da intensidade, podem ser de uso local (na forma de cremes ou soluções) ou de uso via oral, na forma de comprimidos.
Quando as recidivas do herpes forem muito frequentes, a imunidade deve ser estimulada para combater o vírus. Os fenômenos desencadeantes devem ser evitados, procurando-se levar uma vida o mais saudável possível.
A eficácia das vacinas contra o herpes são muito discutidas, mostrando bons resultados em alguns pacientes mas nenhum resultado em outros.

Colaboração: Dr. Roberto Barbosa Lima - Dermatologista

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Os primeiros dentinhos



Quando nascem os primeiros dentinhos da criança?

Os dentes decíduos ou dentes de leite, começam a nascer por volta dos 6 meses e vão aparecendo numa sequência, normalmente aos pares, mas isso varia muito para cada criança, podendo nascer próximo do 1º aninho. Não quer dizer que o dente vai ser mais “fraco” ou mais “forte” se nascer mais cedo ou mais tarde. O importante é saber que cada um tem o seu ritmo e evitar fazer comparações com outras crianças, inclusive da mesma família.

A criança sente alguma coisa quando nascem os dentinhos?

Pela experiência clínica e relato das próprias mães, observamos que tem crianças que não sentem absolutamente nada quando do nascimento dos dentinhos, outras podem manifestar os seguintes sinais e/ou sintomas: “coceira” na região da gengiva, levar mão constantemente à boca, babar, morder, irritação, a criança pode ficar “chatinha”, perder o apetite, fezes amolecidas e esverdeadas, estado febril, baixar a resistência (estado gripal), hematoma de erupção (região arroxeada), entre outros.

Normalmente essas alterações desaparecem com a erupção (nascimento) dos dentes sem maiores problemas. Nos casos de maior incômodo podemos oferecer mordedores de boa qualidade (alguns tipos podem ser levados à geladeira o que proporciona alívio para o bebê) ou simplesmente massagear a região onde estão nascendo os dentinhos com dedeira ou escovinha ou mesmo com gaze/paninho limpo. O uso de fitoterápicos ou medicamentos naturais como camomilina ou maracujina também podem ser indicados. O mais importante é ter paciência e saber que é um processo natural ao qual a criança vai se adaptando gradualmente.

No caso de dúvidas ou alterações mais graves o melhor é sempre conversar com o odontopediatra!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Mau Halito.



O mau hálito, ou halitose, normalmente é motivo de gozação. Mas, ao contrário do que muitos imaginam, ele pode sinalizar doenças importantes. E, pior, a maioria dos portadores de halitose não percebe o problema. “O nariz acostuma-se com o odor e deixa de percebê-lo. Por isso não adianta improvisar nenhum tipo de teste em si mesmo”, diz Marcos Moura, presidente da Associação Brasileira de Halitose (ABHA). A entidade criou até um serviço que avisa, por email ou carta, quem possivelmente está com o problema, o SOS Mau Hálito. Basta uma pessoa próxima entrar no site e fazer o pedido. Há cinco anos no ar, o serviço recebe cerca de 130 pedidos por mês de pessoas com vergonha de mandar o recado pessoalmente. “O mau hálito ainda provoca muito constrangimento social. Até mesmo quem tem intimidade com o paciente, como namorada, cônjuge, irmãos e filhos, muitas vezes evita falar abertamente sobre o assunto”, afirma Celi Vieira, cirurgiã-dentista.
A maioria das pessoas acha que o mau hálito tem origem no estômago, mas apenas 1% dos casos é ligado a ele. “Apesar de ser atribuída a vários fatores – desde estresse até doenças do aparelho digestivo –, cerca de 90% dos casos de halitose têm origem na boca”, diz a dentista. Os outros 10% podem estar ligados a distúrbios digestivos, metabólicos, hormonais, hepáticos, renais e nas vias aéreas superiores, além da falta de vitaminas. A origem também pode ser uma doença que gere compostos leves facilmente eliminados pela expiração (como insuficiência renal), alterações sistêmicas que promovam desvios no padrão salivar (como a Síndrome de Sjogreen), ou medicações que diminuem a quantidade de saliva, o que pode aumentar a concentração de substâncias à base de enxofre na boca. E infelizmente a higiene bucal não impede o mau hálito nesses casos. O dentista especializado em halitose é a pessoa mais indicada para prescrever o tratamento quando a origem está na cavidade bucal. Mas outro profissional de saúde pode ser mais apropriado para tratar as outras causas.
De acordo com uma pesquisa feita pela ABHA, cerca de 30% da população brasileira têm halitose crônica ou ocasional – próximo de 60 milhões de pessoas. “Nem sempre quando uma pessoa acha que está com mau hálito ela realmente está sofrendo de halitose”, afirma Celi. Essa condição pode ser passageira, como ficar muito tempo sem comer ou beber água, ou ter comido alimentos que acentuam o hálito ruim, como alho, cebola, pimenta ou peixe cru.
Quando passageiro, o problema acaba com a higienização oral. O portador de halitose já se acostumou ao odor e precisará que alguém que o cerca o conte. “Daí a importância da sinceridade dos mais próximos para corrigir o problema”, diz Celi. Segundo ela, minimizar a queixa de uma pessoa que sente o próprio hálito alterado só piora. “Mesmo que só ela sinta, isso já é o suficiente para afetar sua qualidade de vida. Geralmente, essas pessoas sofrem muito.

Como evitar o problema

• Além de escovar os dentes depois das refeições, use fio dental para remover o alimento que possa ter ficado entre os dentes. Isso evita a proliferação das bactérias.
• Higienize a língua. Quando a crosta esbranquiçada que reveste a parte superior da língua (saburra) for espessa, use um limpador apropriado. Quando for fina ou invisível, limpe delicadamente com uma gaze.
•Balas e chicletes não mascaram o mau hálito. Os produtos que contêm açúcar podem acabar estimulando a produção do ácido produzido pelas bactérias– o que causa mau hálito e cáries.
• Beba muita água e evite bebidas alcoólicas e com cafeína, como café, chá preto, chá verde e mate. Álcool e cafeína, quando consumidos em grande quantidade, têm a propriedade de deixar a boca seca, criando um ambiente favorável às bactérias causadoras de cáries e mau hálito.
• Evite comer doces entre as refeições e, principalmente antes de dormir, já que a quantidade de saliva diminui durante o sono, contribuindo para piorar o hálito.
• Alimentos à base de derivados de leite, carne vermelha e de peixe favorecem a alteração do odor bucal. Eles devem ser comidos com moderação. Por outro lado, inclua mais frutas e vegetais crus à sua alimentação – como cenoura, pepino e erva-doce.
• Procure um dentista a cada seis meses para fazer a limpeza dos dentes e identificar cáries, infecções e outros problemas que podem contribuir para a halitose.

Fonte: Revista Epoca